Caros Padres, Diáconos, Religiosas e Fiéis Leigos! Queridos Diocesanos e Diocesanas! Está próxima a Páscoa de Jesus Ressuscitado, que nos dá vida eterna, após ter vencido o pecado e a morte. Que Deus Vos confirme na fé, em Cristo vivo e vitorioso, que dá a vida gloriosa e eterna a que somos chamados. Disse Bento XVI aos Jovens: não tenhais medo. Cristo nada Vos rouba, mas tudo Vos dá. Também São João Paulo II nos exortou: Não tenhais medo. Abri as portas a Cristo, escancarai-as. Foi S. João Paulo II que me ordenou bispo, dia 6 de Janeiro de 2002, na Basílica de S. Pedro. Pedi a Deus que me torne fiel ao dom recebido, na imposição das suas mãos e a Jesus Cristo Ressuscitado, que vive, com o Pai, para nos dar a vida. Pela Sua gloriosa ressurreição, venceu a morte e elevou à glória do Pai o Corpo, que Ele recebeu, no seio da Virgem Maria, a qual, Sua humilde serva, concebeu pelo poder, obra e graça do Espírito Santo. 

1.- Jesus ressuscitou, no primeiro dia da semana, no dia do sol, no primeiro da criação, após o Sábado, que passou a ser o Dia do Senhor ou Domingo, em que se fez ver aos discípulos (Mc.16,1-2; Mt.28,1; Jo.20,1). Lucas junta as Aparições, no primeiro dia da semana (Lc 24,1-53) e diz que Paulo e os companheiros se reuniram, no primeiro dia da semana, como de costume, em Tróade, para celebrar a Eucaristia (Act. 20,7). Foi no Sábado à tarde, pois o dia começava, na tarde anterior. A reunião litúrgica, no primeiro dia, era celebrada, ouvindo o ensino dos Apóstolos, rezando, partindo o pão, nas casas (Act. 2,42-47), como fez Jesus em Emaús (Lc 24, 30-32) e antes de morrer, na Última Ceia ao instituir a Eucaristia (1 Cor.11,23), tornando presente o sacrifício da cruz, que foi aceite, pelo Pai, na Ressurreição. Assim nós anunciamos a morte, proclamamos a Sua Ressurreição, esperando a Sua vinda gloriosa. Crucificados há muitos. Ressuscitado só Jesus, que dá vida, mediante o sacrifício presente e significado, no pão e no vinho consagrados, como memorial da morte e Ressurreição, junto com o gesto simbólico do lava-pés (Jo.13,3-18). Não é refeição vulgar (Act 2,46; 20,11; 1 Cor.11,17-22), mas Ceia do Senhor, Comunhão e Fracção do Pão. A Igreja vive dela. Ela faz a Igreja e é amor, dom de si, serviço, como diz S. João: “ninguém diga que ama a Deus a quem não vê se não ama o irmão que vê, esse é mentiroso”. Por isso, diz Jesus: nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei (Jo. 13, 34-35). Seremos julgados, pelo amor, dispensado aos irmãos necessitados ( Mt. 25, 31-46 ).   

2.- No memorial da Morte e Ressurreição, que é a Eucaristia, a Igreja ouve, celebra e dá-nos a Palavra de Deus. No Dia do Senhor, João, o vidente de Patmos foi arrebatado, ouviu, anunciou a Palavra do Cordeiro imolado e glorioso e o que o Espírito diz à Igreja Esposa, perseguida (Ap.1,10). Na Eucaristia, o mistério pascal da morte e ressurreição é actualizado, feito presente e dá fruto. Jesus vencedor do pecado e da morte dá a vida e consola a Igreja que caminha no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, como diz S. Agostinho. Na Eucaristia, a Igreja celebra a morte e ressurreição, ouve, reza e anuncia a Palavra de Deus, que, por sua vez, gera e congrega a Igreja.

3.- Ao celebrar Cristo Cordeiro Pascal que foi imolado (1 Cor. 5,7; Jo. 19,36 e Ex. 12,15), recordamos o memorial interpretativo e actualizante da Eucaristia, sob a figura do pão e do vinho consagrados e a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, que morreu uma só vez, para não mais morrer, e ressuscitou, vivendo para sempre, para nos dar a vida. Paulo fala do centro da fé e da Tradição Apostólica, em ordem à comunhão, criada pela Eucaristia, que Jesus instituiu, antes de ser entregue (1 Cor.11,23-26). Fazendo o que Jesus fez ao tomar o pão e o vinho, anunciamos a morte do Senhor, até Ele vir. Abordando o Mistério Pascal, Paulo narra o que viu e ouviu das testemunhas oculares, que viram Jesus antes de morrer, às quais o Ressuscitado se fez ver. Paulo não tendo visto Jesus, antes da Ressurreição, viu-o glorioso, perto de Damasco, quando Ele lhe apareceu ressuscitado (1 Cor. 15,1-8), e se tornou para o Apóstolo a vida da sua vida.

4.- A morte e ressurreição de Jesus e o memorial da interpretação salvífica, actualizada na Eucaristia, fazem parte do depósito da fé, que a Igreja vive e ensina e Paulo, após a conversão, recebeu da tradição. Morte, sepultura e ressurreição são o centro da fé e da tradição apostólica, vivido e ouvido das testemunhas oculares, que viram, ouviram e tocaram a carne do Senhor e O viram glorificado. A Ressurreição, com a vinda do Espírito, moveu os Discípulos do Senhor a ir pelo mundo anuncia O que os olhos viram, os ouvidos ouviram e as suas mãos tocaram, acerca do Verbo da Vida. Nós somos os herdeiros e arautos do anúncio apostólico das testemunhas oculares. Comunicamos o que recebemos e aprendemos, na Igreja, vivendo em união, com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo (1 Jo. 1,1-3).  

5.- Recolhendo o ensino do Sínodo dos Bispos sobre a Juventude e o seu Instrumento de Trabalho “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional”, o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica “Cristo Vive”, com 9 capítulos e 299 pontos, sobre a gloriosa vida do Ressuscitado, que guia, acompanha, ensina e salva. Jesus peregrina connosco e quer que vivamos com Ele, d’Ele, n’Ele e para Ele. Explica-nos a Escritura, fala de Si e do desígnio salvífico de Deus, como em Emaús, para nos levar ao Pai e à vida gloriosa. Vivemos para anunciar Cristo: “Todos, Tudo e Sempre em Missão”. Deus chama-nos a ser arautos de Cristo, Caminho, Verdade e Vida e faz de nós actores, co-responsáveis e operadores eficazes do anúncio da Boa Nova e do Reino de Deus.

A intimidade com Jesus é o centro e o objectivo da Exortação do Papa. No eclipse de Deus, sem valores e sem norte, há o perigo de endeusar estratégias, planos pastorais e os nossos gostos, em vez de obedecer a Deus, caindo na idolatria do efémero, que não salva, nem nos dá a bem-aventurança, que só Jesus Ressuscitado nos pode dar.

6.- Cresce o número de pobres, necessitados, escravizados, maltratados e oprimidos. Há também catástrofes naturais, como a que vitimou o povo irmão de Moçambique. A fé não dispensa a partilha e a caridade, dpois não há verdadeira fé, sem a prática de boas obras, por isso diz S. João “não honremos a Deus só com palavras e com a boca, mas com obras e verdade” (1 Jo. 3,18). Exorto-vos, Irmãos, a ajudar os necessitados de Moçambique, através da Caritas, e a todos os outros que Deus pôs, no nosso caminho. A Igreja é caridade e comunhão. A fé autêntica actua pela caridade. O Amor, o Diálogo e a União Fraterna são o espelho da Trindade Santíssima.

Perdoai-vos e ajudai-vos mutuamente. Vivei em paz. Socorrei e consolai os pobres, os tristes e atribulados, imitando Deus Pai Misericordioso. Peço que rezeis por mim. Que Deus Vos conserve unidos, no amor. Desejo-vos uma Santa Festa da Ressurreição do Senhor, pedindo a Deus que Vos abençoe e que “a graça e a paz Vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo “ ( 1 Cor. 1, 3 ).

+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real. 

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